sexta-feira, 7 de março de 2014

Ponta Grossa: Mudar é preciso

Conheci uma escola na região metropolitana de Curitiba que ilustra bem a importância que tem o princípio de alternância ou mudança de poder, quando os administradores tem consciência. Antes da edificação do prédio para receber os alunos, convidaram para dirigí-la, um professor que fora co-fundador de escola do mesmo estilo, no norte do Brasil. Era, carinhosamente, chamado de Professor Nickell.
Dirigiu a instituição nos seus primeiros seis anos. Deu o norte da escola e da sua filosofia de educação. Certa vez pediu que alguém redigisse sua carta de demissão do cargo. Continuaria apenas como professor. Foi um espanto para todos. Era querido entre alunos, funcionários e professores. Perguntado sobre o motivo respondeu com tranquilidade que a sabedoria determina que haja mudança de administração sempre que um mandato chega nos cinco anos. Passando-se disto gera-se o conformismo, a lentidão, interrompe-se a criatividade e não muito longe o autoritarismo. Depois, disse, é necessário que surjam e que se de vez às novas lideranças. Na sua opinião, essa atitude deve partir os que estão no poder, perceber a hora de deixar o poder. Esse princípio vale para igrejas que mantém pastores vitalícios, sindicatos com diretorias sempre reeleitas e classes nos governos.
Em Ponta Grossa o mesmo grupo comanda a prefeitura a séculos. As escolas de educação básica ficam nas mãos dos mesmos diretores por décadas. A Universidade mantém no seu comando o mesmo grupo a mais de quatro décadas. Viciada, aprisionada na burocracia e na estagnação intelectual, mudar é o mais salutar.

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